Relembre os principais temas discutidos nas cinco primeiras rodadas de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2026 e os próximos passos da mesa com a Fenaban

A Campanha Nacional dos Bancários 2026 segue em ritmo intenso e já chegou à quinta rodada de negociações com a Fenaban, realizada nesta quarta-feira (30), em São Paulo. Até o momento, cinco mesas já discutiram temas fundamentais para a categoria, como emprego, saúde, igualdade de oportunidades, cláusulas sociais e remuneração. Para você acompanhar tudo o que já foi debatido, a Federa-RJ preparou uma retrospectiva dos principais momentos da campanha, que tem como prazo para assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) o dia 1º de setembro.
5° Rodada de Negociação: Cláusulas Econômicas

O aumento salarial é a prioridade para 93% dos bancários e bancárias que responderam a Consulta Nacional. Esse foi um dos temas debatidos no dia 30 de julho, em São Paulo. A quinta rodada de negociações abordou as cláusulas econômicas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), como reajuste salarial, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e vales alimentação e refeição.
Enquanto o Brasil convive com uma das maiores taxas de juros do mundo e as famílias enfrentam o peso do endividamento, os bancos continuam registrando lucros bilionários. Os dados mostram que os bancos têm condições de atender as reivindicações da categoria, no primeiro trimestre de 2025, as instituições lucraram mais de 128 bilhões de reais. Um dos pedidos do Comando foi o ajuste da distribuição da PLR.
A CCT prevê a possibilidade de distribuir até 15% dos lucros, mas a média dos bancos privados é de 5,9% e a dos públicos, de 12,9%. O objetivo é ampliar a participação dos trabalhadores nos resultados obtidos pelas instituições financeiras. “É importante ajustar a distribuição da PLR, observamos que ao longo do tempo cada vez mais os bancos distribuem menos. A valorização da categoria é fundamental, parte do lucro vem do trabalho de cada bancária e cada bancário”, completou a presidenta da Federa-RJ, Adriana Nalesso.
O reajuste do ticket alimentação também foi colocado em debate. De acordo com o Dieese, é necessário um aumento de 40%, passando dos atuais R$924,47 para R$1.293,73. A reivindicação busca recompor o poder de compra da categoria diante do aumento do custo de vida. “Nossas reivindicações são legítimas e tenho convicção que os bancos têm condições de atendê-las”, afirma o presidente do Sindicato dos Bancários de Niterói, Jorge Antônio.
Além disso, foram retomados alguns pontos da última rodada de negociação (21/7), que teve saúde como tema. Os bancos se comprometeram a encaminhar a NR1 através das Comissões de Empresa. No entanto, em seguida, a Fenaban tornou o debate extenuante, afirmando que o alto índice de afastamentos de bancários e bancárias estaria ligado a diversos fatores. Entre eles, apontou a facilidade para obtenção de atestados médicos. O discurso deu a entender uma suposta falta de boa-fé por parte dos trabalhadores(as).
Os bancos também atacaram diretamente a Cláusula 29 da CCT, que trata da complementação salarial para os afastados, com duração de até dois anos, com possibilidade de renovação. No lugar, a Fenaban propôs a redução desse período para apenas 45 dias. Após esse período, os médicos do trabalho do banco é que iriam decidir se o trabalhador continuaria ou não afastado. Diante da rejeição do Comando, a Fenaban recuou da proposta.
Sobre a pauta de remuneração, a Fenaban não apresentou nenhuma proposta. Em relação à retirada de direitos relacionados à saúde, a Fenaban se comprometeu a apresentar uma proposta na próxima rodada. O encontro está marcado para o dia 4 de agosto.
4° Rodada de Negociação: Sáude

A quarta rodada de negociação da Campanha Nacional das Bancárias e dos Bancários 2026, nesta terça, 21 de julho, debateu sobre o tema saúde. O encontro foi tenso e marcado pela intransigência da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Além de ameaçar a mesa única, os bancos se recusaram a discutir medidas para reduzir o endividamento da categoria e colocaram em risco cláusulas históricas relacionadas à saúde dos trabalhadores e trabalhadoras.
O presidente do Sindicato dos Bancários Rio, José Ferreira, membro do Comando, afirmou que a divisão das mesas entre bancos públicos e privados é inaceitável. ”Não vamos nem cogitar essa possibilidade que, além de dividir a categoria, enfraquece a negociação. A nossa união vem garantindo conquistas e não vamos mudar esse modelo”, garantiu.
Outro ponto que gerou reação foi a recusa dos bancos em criar um programa de crédito com juros baixos para ajudar a categoria a saldar suas dívidas. A contraproposta dos bancos para reduzir o endividamento seria concluir logo a Campanha Nacional e adiantar o pagamento da PLR. Para o Comando Nacional, a saúde financeira também faz parte da saúde do trabalhador.
Na pauta da saúde, os dados apresentados pelo movimento sindical reforçaram a gravidade da situação. Segundo levantamento realizado com a participação de 55 mil bancários e bancárias, 40% utilizaram medicamentos controlados no último ano. A pesquisa também aponta que a cobrança excessiva por metas tem provocado tensão, fadiga, desmotivação e ansiedade na categoria.
Mesmo diante dos números alarmantes, a Fenaban ameaçou retirar cláusulas de saúde da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Após pressão, os bancos recuaram e concordaram em dar continuidade às discussões na próxima rodada, no dia 30 de julho.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Petrópolis, Sávio Barcellos, também presente à negociação, a rodada de hoje foi lamentável. “Mal começamos a negociar e os bancos já querem endurecer, negando as nossas reivindicações, isso deixa claro que a união e a mobilização da categoria são essenciais para preservar direitos e conquistar avanços”.
Como resposta à postura dos bancos, o Comando Nacional aprovou a realização do Dia Nacional de Luta e Mobilização, no próximo dia 28.
3° Rodada de Negociação: Igualdade de Oportunidades

A terceira mesa de negociação debateu sobre Igualdade de Oportunidades. Com propostas para reduzir as desigualdades de gênero, raça e inclusão de pessoas com deficiência (PCD) e LGBTQIA+ no setor bancário, a reunião aconteceu dia 16 de julho, em São Paulo, entre o Comando Nacional e a Fenaban. Dados apresentados durante o encontro mostram que as mulheres representam cerca de 47,5% da categoria, mas ainda recebem, em média, 26% menos que os homens.
A desigualdade é ainda maior nos cargos de liderança, onde mulheres negras ocupam apenas 9,7% das posições. Diante desse cenário, o Comando Nacional cobrou o cumprimento da Lei da Igualdade Salarial e a adoção de políticas que ampliem a presença de mulheres em cargos de liderança, além de mais oportunidades para pessoas negras, PCDs e população LGBTQIA+.

Também foram discutidas medidas de combate ao racismo, como a criação de canais de denúncia e protocolos de enfrentamento, além da ampliação das contratações na área de Tecnologia da Informação e da proteção às bancárias em situação de violência doméstica. Outro tema abordado foi o endividamento da categoria, que será aprofundado nas próximas rodadas de negociação.
“Os dados apresentados mostram que ainda há um longo caminho para garantir igualdade de oportunidades no setor bancário. É fundamental que os bancos cumpram a Lei da Igualdade Salarial e adotem políticas efetivas para ampliar a inclusão, combater o racismo e garantir mais oportunidades para mulheres, pessoas negras, PCDs e a população LGBTQIA+”, destacou a presidenta da Federa-RJ, Adriana Nalesso.
2° Rodada de Negociação: Emprego

A segunda rodada de negociações da Campanha Nacional das Bancárias e dos Bancários 2026, realizada 7 de julho, em São Paulo, teve como foco a defesa do emprego. O Comando Nacional apresentou dados que mostram que, entre 2015 e maio de 2026, os bancos eliminaram cerca de 93,3 mil postos de trabalho e reduziram em 42% a rede de agências, mesmo registrando lucros recordes.
Diante desse cenário, o movimento sindical voltou a cobrar o fim das demissões e do fechamento de agências, além de uma trégua nas dispensas durante o período de negociações. A Fenaban rejeitou os pedidos.
“Os altíssimos lucros dos bancos, que crescem a cada período, mostram que, mesmo diante da alegada concorrência desleal, seria perfeitamente possível atender ao pedido de suspensão do fechamento de agências e das demissões durante esse período negocial. De nossa parte, fica o alerta de que continuaremos a lutar e a buscar aliados na sociedade para denunciar e combater essa dupla crueldade com os bancários(as) e com a parcela da população que vem sendo cada vez mais expulsa das agências”, reiterou o presidente do Sindicato dos Bancários, José Ferreira, que também é membro do Comando Nacional.
O Comando também reivindicou medidas de proteção à categoria, como indenização adicional em caso de demissão, retorno das homologações aos sindicatos, fortalecimento da qualificação profissional e criação de um banco de talentos para trabalhadores(as) desligados(as). As propostas de retomada das homologações, criação do banco de talentos e ampliação da qualificação profissional serão analisadas pelos bancos. Já a indenização adicional foi rejeitada.
Outro tema de destaque foi o impacto das demissões sobre as mulheres, que representaram 79% dos postos de trabalho eliminados entre 2020 e maio de 2026. O movimento sindical também solicitou estabilidade provisória para bancárias vítimas de violência doméstica, pedido igualmente rejeitado pela Fenaban.
Para o vice-presidente da Federa-RJ, Péricles Cabral, também presente na reunião, “os bancos fazem discurso sobre responsabilidade social, mas, na prática, não têm compromisso algum com isso. O fechamento de agências e as demissões comprovam na realidade que o único objetivo é ampliar os lucros”.
1° Rodada de Negociação: Cláusulas Sociais

A primeira reunião de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2026 pautou cláusulas sociais e teve como foco a inclusão de pessoas com deficiência (PCDs), a redução da jornada de trabalho e o aprimoramento das regras do teletrabalho. Entre as reivindicações apresentadas pelo movimento sindical estão a ampliação das oportunidades de contratação e capacitação de PCDs, além da redução da jornada para trabalhadores(as) com deficiência e para pais e mães atípicas.
Os debates foram respaldados por dados da pesquisa Radar Inclusão, realizada com 1.765 pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes. O levantamento mostra que 78% dos participantes já enfrentaram dificuldades em processos seletivos por sua condição, enquanto 86% afirmaram ter vivenciado situações de capacitismo no ambiente de trabalho. Atualmente, os bancos possuem, em média, 4,5% de pessoas com deficiência ou reabilitadas em seus quadros, o equivalente a cerca de 18,7 mil bancários.
A reunião também debateu a proposta de semana de quatro dias, sem redução salarial, e a necessidade de avanços no teletrabalho, especialmente em relação ao direito à desconexão e à ampliação da ajuda de custo. “É inadmissível que os sindicatos ainda recebam denúncias de contato fora da jornada de trabalho, isso precisa acabar. Sabemos como funciona a pressão por metas, e os bancos precisam atuar no sentido de garantir o momento de descanso tão essencial para a saúde mental”, pontuou a presidenta da Federa-RJ, Adriana Nalesso.
Durante a reunião, também foi definido o calendário das negociações de julho para os dias 7, 16, 21 e 30.
“A próxima semana será marcada pelo dia de luta no dia 6, pela defesa do emprego na negociação do dia 7 e pelo ato público de lançamento da campanha no dia 9, onde vamos dialogar com os bancários e com os clientes e a sociedade denunciando o fechamento das agências e a piora no atendimento como consequência”, completa o presidente do Sindicato dos Bancários Rio, José Ferreira.








